Centro Cultural Octo Marques

O espaço

O Centro Cultural Octo Marques abriga as Galerias de Arte Frei Confaloni e Sebastião dos Reis e está localizado no Edicício Parthenon Center, na rua 4, número 215, no Centro. O espaço homenageia nominalmente o artista plástico goiano Octo Marques.

Quem foi Octo Marques?

Octo Marques

Por José Mendonça Teles

Octo Marques, autoditada, pintor primitivista e escritor, nasceu na Cidade de Goiás no dia 8 de outubro de 1915 e faleceu em Goiânia, no dia 22 de abril de 1988. Partiu sem alarde, sem jornal nacional, apenas a notícia correndo de boca em boca, trazendo aquele misto de compaixão e tristeza. Modesto, simples no seu mundo familiar, viveu seus últimos anos embriagado no álcool de sua solidão. Explorado por muitos, ele construía os seus quadros em troca de alguns trocados que lhe saciavam a fome e a sede de organismo já debilitado. Quanto mais Octo caminhava para o fim, mais suas obras eram disputadas na bolsa da sociedade capitalista, num contraste doloroso. Ele, o artista, o mito, a glória de Vila Boa, catando migalhas na panela da opressão e seus quadros atingindo altos preços no leilão de colecionadores. No Largo do Moreira, onde viveu, a vida continua do mesmo jeito, mas fica a lembrança de Octo Marques, e aqui transcrevo as palavras do saudoso Gontran da Veiga Jardim, na carta que me enviou, do Rio de Janeiro, após a leitura de meu livro No Santuário de Cora Coralina, no dia 2 de janeiro de 1992.

“Muita gente em Goiás, dotada de certa cultura e bem assentada na vida, não aceitava Octo Marques. Sua figura humilde, com ar de mendigo (mendigo de Deus), esbarrava em preconceitos enraizados desde os tempos de Goiás colonial. Mas – o que essa gente não vislumbrava – aquela figura maltrapilha escondida a grandeza de um artista, despreocupado com as graníolas do mundo. Estive com ele diversas vezes nos bons tempos de estudante. Certa vez, fomos em visita à casa de uma família que definirei como “quatrocentona”. Octo foi mal recebido, olhado com desprezo. A situação ficou tão embaraçosa, que resolvi me despedir.

Saí com Octo e na rua, perto da Igreja da Abadia, Octo não pronunciou a menor palavra que pudesse revelar a mágoa que lhe roía a alma. Conversamos sobre arte, sobre o nosso Lyceu, fizemos mil planos de vida. Sair de Goiás era meu objetivo; ele, não, queria permanecer ali, no Moreira, percorrendo aquelas ruas incertas, colhendo impressões, imagens, que iriam enriquecer sua já tão rica galeria de arte. Era um criador. Foi um exemplo de amor à terra que o viu desabrochar como artista.”

Quando era Secretário de Cultura, no governo Santillo, o escritor Kleber Adorno me telefona: “Zé, vou inaugurar um espaço cultural no Parthenon Center, você tem sugestão para o nome?” “Tenho, Octo Marques!” Kleber agradeceu, desligou o telefone e o Espaço Cultural Octo Marques está lá, homenageando um dos artistas mais marcantes do século vinte em Goiás.

(23/12/2002)